Brasil Universo

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Pela minha compra — tomate, umas ervas, frutas — o irlandês da lojinha orgânica deduziu que eu fosse de algum lugar ali pelo mediterrâneo. Eu falei que não, que sou do Brasil, daí ele abriu um sorrisão e contou que quer muito ir para o Brasil, mas que não lembrava o nome da cidade. Chutei “Rio”, e ele falou que não, que era muito, mas muito melhor. Fiquei pensativa, ele também, e depois lembrou: era Curitiba. Eu achei bem estranho, ninguém aqui quer saber de Curitiba.

– É que eu preciso ver um cara. O Hermeto Pascoal.

– Eu não sabia que ele era de lá.

– E não é. Mas mora lá, ele e a mulher dele.

– Legal.

– Ele é um gênio, sabe? Um gênio. Ele tá acima.

Depois ele falou do Caetano Veloso e do Gilberto Gil, me perguntou qual dos dois tinha sido ministro da cultura, e disse que achava isso sensacional, quer dizer, o cara além de fazer música boa, ainda tinha sido ministro. Falou de Tom Zé, disse que precisava ouvir mais músicas do Tom Zé, porque só conhecia duas e achava incrível.

– Eu conheço pouca coisa da música brasileira, mas o pouco que eu conheço é genial. Sabe? É tipo planta. Se dá fruto bom, é porque o solo deve ser bom também.

Eu tento não ver poesia em tudo, mas até quando vou comprar tomate orgânico ela aparece.

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