Insônia

Não foi o café das 3 da tarde, não, minha filha. Foram as coisas que você não terminou de fazer. Não tem nada de físico nisso, é tudo da sua cabeça. Todos esses fantasmas aparecem nessas horas da noite. Ficam lá no fundo esperando a hora certa de atormentar. Agora não adianta levantar e escrever, tem que fechar os olhos e dormir. Conta carneirinho, vai.

Patético.

Os carneirinhos nunca atravessam a cerca, vão ficando tudo amontoados do mesmo lado, enroscados pela lã. Sabe o que é isso? Sua mente te controlando. Nem jogar carneirinho pro outro lado da cerca você consegue. Vai, controla. Inspira, expira. Inspira. Tem que tomar as rédeas da situação, querida. Contar cavalo será que funciona? Afe.

Amanhã vai dar certo, amanhã você organiza, senta, escreve, sem facebook, sem se distrair, sem pensar se do outro lado do mundo tá tudo bem. O e-mail do seu pai! Caralho, mais essa. Peço desculpas pela falta? Ajo naturalmente? Pergunto como ele tá? Mando fotos da viagem? A gente precisa conversar mais, a gente precisa se entender. Será que é caso de análise? Mas e o dinheiro? Se não focar no trabalho, não tem dinheiro nem pro café, quem dirá pro analista, e voltamos ao ponto de partida: foco. Foco. Isso. Relaxa. Imagina um balão, e nele seus pensamento. Ele vai subindo, levando as preocupações embora. Isso, foca. Relaxa. Que foi isso? Ai, não, o sótão que eu esqueci de novo de fechar. Os fantasmas. Melhor acender a luz, levantar e escrever.

 

*Da oficina de escrita criativa.

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