Primavera, cheguei

 

ipe

Faz dois anos que espero para ver a chegada da primavera no Brasil. Quando chega setembro paira no ar uma leveza que nunca vi em outro lugar.

Tem pessoas que perguntam, perplexas: por que você voltou? Voltei porque para mim felicidade não se mede em PIB, IDH ou salários, mas pela sensação de chegar em casa e tirar os sapatos. Pelas memórias afetivas, o som dos pássaros e o céu azul.

No voo de volta para o Brasil conheci Emanuel, nigeriano que mora em São Paulo. Ele trabalha como soldador e pretende conhecer o mar. Ficou surpreso ao saber que existem várias praias no Brasil, e que “praia” não é o nome de um lugar específico. Agora, quer conhecer todas elas, embora não tenha ido até nenhuma. Precisa de férias, e vai reservar as próximas para esticar até Santos. Fiquei triste quando chegamos e ele foi parado na imigração, da mesma forma como fui tantas vezes metralhada com perguntas nos meus passeios pelo outro lado do oceano. Segui com a minha malinha e deixei Emanuel para trás, respondendo o questionário do funcionário da imigração.

Voltei porque o Brasil não é um, é muitos. Entre eles, há o Brasil de Emanuel, que está aqui por escolha e encanto. E o meu.

A minha felicidade tem coordenadas geográficas, vozes e cheiro. Felicidade se substitui, sim. Encontram-se novas. Mas para mim, a mais valiosa é essa, que não tem nome ou definição. É o abraço conhecido, a churrasqueira acesa na varanda no domingo, a chuva de verão. É por isso que eu voltei: para ver os ipês em flor.

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