Para meus amigos que querem viajar

irlanda

Hoje o Facebook me mostrou a primeira foto que tirei na Irlanda, 3 anos atrás. De luva, toquinha e aquele sorriso de estou realizando um sonho.

Desde então, muitas pessoas vêm perguntar sobre a experiência. Como fazer, ir ou não ir, quanto de dinheiro é necessário. Meu conselho, além das dicas práticas sobre gastos e passeios é: se tem vontade, vá.

A ideia de conhecer o mundo não desgrudou de mim desde que eu tinha 5 anos, morava no sítio e um dia, olhando o horizonte, vi um monte branco sobre a pastagem.  Devia ser areia para construção ou serragem. Perguntei para minha mãe se lá era o Pólo Norte. Ela riu e me explicou que não, o Pólo Norte era muito mais longe, num tanto que eu não conseguiria ver só de esticar a vista. Saber que existia mais mundo do que meus olhos podiam enxergar deu nó na minha cabeça. Cresci querendo ver de perto, e minha mãe alimentando esses sonhos toda vez que chegava em casa com um livro novo do Pateta dando a volta ao mundo.

Eu sei que essas histórias de gente que largou tudo para viajar já encheram o saco, e são um recorte muito pequeno de uma geração. Poder dar um tempo na vida, fazer as malas e viver em outro país é um privilégio. Mas se te aconteceu de nascer nesse grupo de privilegiados que podem ter certo controle sobre o próprio destino, e se sua alma é atormentada pela vontade de sair para um passeio mais longo, vá. Se lá no fundo te bate de vez em quando a curiosidade de saber como é ouvir um sanfoneiro numa praça de Bogotá ou tomar um café numa calçada de Paris, organize-se para que isso aconteça. Guarde dinheiro, gaste menos com bobagens, venda o carro, procure por bolsas de estudo, faça o que estiver ao seu alcance, lembre-se que a vida é curta.

Eu tive medo de me afastar demais do mercado de trabalho. Temia voltar e nunca mais conseguir emprego. No fim, a gente volta mais preparado, ou tão mudado que percebe que aquela carreira que parecia importante não fazia sentido algum. É natural a gente estudar, estagiar, conseguir o primeiro emprego na área e fazer planos a partir daí, tudo de sopetão, sem tempo para pensar se é isso mesmo que queremos. E quando tudo flui assim, do jeito que o mundo espera que flua, dá medo de cair fora. Mas como esse papo é principalmente para aqueles que sentem uma certa inquietação com a vida como ela está, preciso contar uma coisa: provavelmente esse sentimento não vai passar enquanto você não fizer algo a respeito.  É como diz o tio Saramago: é necessário sair da ilha para ver a ilha, não nos vemos se não nos saímos de nós. Dar um passeio do lado de fora – da cidade, do país e de nós – faz bem.

De repente, acontece de você se encontrar. Pode acontecer de sentir saudades da vida antiga, emprego fixo e contas pagas, e a experiência vai ter servido para te mostrar que essa é a sua. Pode acontecer de você nunca mais voltar. Ou voltar tão diferente que, ao entrar no quarto antigo que você deixou para trás e mexer nas suas roupas velhas, sinta o impulso de pedir desculpas por estar fuçando no guarda-roupas de um estranho. E pode acontecer também de você voltar e nunca mais conseguir desfazer a mala, passar a apreciar paisagens que correm do lado de fora do ônibus, entendendo que até um passeio a 50 quilômetros de distância te acrescenta muita coisa. Foi o que aconteceu comigo, que aliás, faz meses que não desfaço minha mochila. Até porque eu ainda não conheci o Pólo Norte 🙂

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Quer ler mais sobre o assunto? Clica aqui. Se você quer dicas sobre viagem, vem ler meus textos do DPB Intercâmbio.

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2 thoughts on “Para meus amigos que querem viajar

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