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lendas e histórias pra dormir

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o chocolate surpresa vai voltar para fazer a alegria da galera de 30 e poucos anos. nada mais infância anos 90 que isso e o chiclete ploc com álbum dos animais da amazônia. foi lá que eu descobri o que era uma víbora. e foi nos anos 90 que eu peguei trauma de chocolate galak porque um dia comi até vomitar.

pelo sabor e pelo cheiro a gente consegue reviver muita coisa.

eu lembro do xampu vital ervas, de frasco cilíndrico e tampa verde. quando minha mãe levantava de manhã, eu encostava a cabeça no travesseiro que ela dormia e pegava no sono respirando o cheirinho do xampu que o cabelo dela deixava ali. quem me lembrou disso foi gabriel, meu amigo, numa conversa nostálgica que tivemos enquanto assistíamos a um documentário sobre sacis. segundo o especialista, eles nascem em ninhadas de 7, crescem até 77 cm e morrem aos 77 anos. há machos e fêmeas, andam no meio de rodamoinhos e é preciso paciência para ver um. “não pode ter ansiedade para ver saci”, disse.

eu nunca vi.

minha avó diz que viu, quando era criança. a avó do gabriel falava de lobisomem. foi nessa conversa sobre coisas antigas que chegamos ao travesseiro das nossas mães com cheiro de vital ervas.

meu pai contava histórias pra gente dormir. inventava, enchia de detalhes, fazia suspense. no fim, ele dormia e a gente ficava acordado imaginando tudo aquilo que acabáramos de ouvir. noite escura, um velho andando sozinho numa estrada de terra. relâmpagos no céu, um uivo à distância. ele aperta o passo, o arrastar da bota levanta poeira do chão.

o pai descrevia o barulho da bota do homem raspando na terra batida. eu sei até hoje como é o rosto desse homem que nunca vi.

cresci com apreço por narrativas. gosto mais de história que de fato. mais de roteiro que de efeito especial. uma boa história não precisa de nada além de alguém que conte bem.

se você também gosta, eu te sugiro o filme Um Conto Chinês. tem no netflix. é essa dica, afinal, o único propósito desse post. além de jogar conversa fora. 

Já estou com saudades

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Eu passei 4 anos solteira. Durante esse tempo, entendi a importância dos bons amigos.

Sempre que vejo conhecidos recém chegados à solteirice entrando em desespero para encontrar alguém, lembro disto: pensem nos amigos. O amor romântico vai acontecer naturalmente. Ele, na verdade, SÓ acontece naturalmente. Pelo menos o amor dons bons. Se você forçar, talvez arrume algo. No desespero, vai acabar inventando adjetivos positivos para fazer aquele semi-desconhecido se encaixar nos seus planos. Mas um dia a realidade vem. E quando ela chegar, é importante ter alguém para te ajudar a segurar a barra e te pagar a cerveja-tira-mágoa-da-decepção.

Ter pelo menos um bom amigo é mais importante ainda se o amor romântico nunca chegar. Pode acontecer.

A relação entre amigos é pouco enaltecida nas narrativas do cinema. Menos ainda quando trata-se da amizade entre mulheres. Tente se lembrar de três filmes onde a história mais importante é a relação de amizade entre duas mulheres. Agora pense em filmes onde a relação romântica homem-mulher é o foco. É fácil listar filmes cujo enredo nos faz crer que só é possível ser feliz quem vive um amor romântico perfeito.

Então vou falar de um filme que cabe no primeiro caso. Já estou com saudades foi lançado no final de 2015 e está no Netflix. Ele mostra a relação de amizade entre Milly (Toni Collete) e Jess (Drew Barrymore).

Elas são amigas desde a infância, estão com seus quase 40 e a vida encaminhada quando Milly descobre um câncer de mama. O enredo parte daí, e mostra as sutilezas e os detalhes dolorosos da relação nessa fase difícil. As duas vivem cada qual o seu amor romântico, mas isso fica em segundo plano. O filme é sobre elas.

Eu não quero falar muito mais, só deixar a sugestão e lembrar que amigos são muito, muito importantes. O amor romântico também, mas com alguém ao nosso lado em quem podemos confiar, todo o resto se ajeita. Se o amor não vier, tudo bem, desde que você tenha bons amigos. São eles que vão conseguir te fazer ver alguma graça nisso tudo quando a vida bater. Porque ela vai.