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caminhando, senti-me em casa

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a filosofia é a saudade-ânsia de se sentir em casa em todos os lugares. foi a primeira coisa que eu li depois de deixar a mala no chão do primeiro quarto onde morei quando sai da casa dos meus pais. letras pretas num papelzinho amarelo grudado na porta do quarda-roupas de uma das minhas colegas. éramos 6, cada uma com sua cama naquele mesmo quarto grande de beliches e azulejos.

no começo vai ser agitado, tanta gente nova, mas quando você deitar na cama e olhar para o teto vai te bater uma solidão, tinha dito meu pai.

a frase do guarda-roupas da minha colega me salvou dos olhos vidrados no teto dentro do silêncio que faz um quarto de pensão quando todos já dormiram; e virou, dali pra frente, o lema que eu antes não sabia expressar. é parte de mim essa saudade-ânsia de me sentir em casa em todos os lugares. as vezes, esses lugares são pessoas.

foi esse lugar, por 7 dias, o solo sertanejo de minas gerais. não há forma mais fiel de estar no mundo do que andando sobre ele com os próprios pés, embrenhando-se no que cresce do chão e conversando com quem habita estas terras. eu estive em casa em tantos lugares nesses 7 dias. na terra vermelha que manchou para sempre minhas meias brancas, na água fria que aliviou meus pés machucados, na areia que antes foi rio e serviu de leito perfeito para minhas costas cansadas. estive em casa sob o teto de gente que, gentilmente, abriu as portas para nos receber. estive em casa olhando nas paredes retratos de pessoas que nunca vi, provando sabores que não conhecia, como doce de buriti e suco de araçá. estive em casa dentro de uma barraca que por 7 dias foi, de fato, minha casa, e aprendi o melhor jeito de arrumá-la, aceitando que areia não é sujeira. saudade-ânsia é resignificar o mundo, afinal, e olhar para as coisas como se já tivessem sido e como se nunca fossem ser. desmontar tudo, abrir espaço no peito e entender que nada é certo (nem o hábito de escovar os dentes, que, afinal vem antes ou depois do café?). então, eu estive em casa tomando banho frio, eu que amo água quente. e estive em casa comendo rapadura quando bateu a fome, eu que nunca começo uma refeição pelo doce.

estive em casa, com peso e sem poesia, em meio à vasta plantação que desvia água de quem precisa, porque é também minha casa esse país imenso e injusto. senti desejo de que fosse minha casa para sempre a casa de sêo romualdo, que planta mandioca e faz, no fogão à lenha com ajuda da família, a tapioca e o pão de queijo e avisa, quando está acabando que já já tem mais.

e me senti em casa, tão em casa, nas gentes que andaram comigo. é um mundo vasto e cheio pessoas de todo tipo, mas algumas dessas são mais um pouco do que a gente mesmo é. gente de ofícios, gostos e rostos diversos com o comum ansiar por dispor de tempo para o desconhecido. uma colega de caminhada contou que, naqueles 7 dias, era a primeira vez que ela vivia completamente no presente. outro comentou que poderia estar em outros tantos lugares, mas estava ali, por escolha. eu me senti em casa quando percebi que gente fazendo o que escolheu fazer, agente, ciente, buscando e desafiando, faz coisas lindas como que por natureza, como cantar e cuidar do outro.

considerei que talvez seja esta minha função no mundo: buscar meu lugar nele, mesmo sabendo que ele é em todo canto.

 

*para saber mais sobre o programa: O Caminho do Sertão. em breve, postarei textos lá no medium

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Casa, memória e Rita Lee

casa

estou lendo “uma autobiografia”, da rita lee. ela inicia o livro de memórias – aleatórias e narradas com despretensão – descrevendo o casarão onde foi criada, na vila mariana, em são paulo. escada, quadro na parede, banheiro, tudo é rememorado em detalhes.

na sala da casa dos meus pais tem um espelho grande, emoldurado em madeira escura, pendurado sobre um aparador de madeira também escura. minha mãe conta que quis reproduzir naquele canto um pedacinho da casa onde moramos por 15 anos, em dois córregos, interior de são paulo. era uma casa com janelões de vidro voltados para a rua, de onde víamos as duas árvores grandes da calçada, os carros e as pessoas que passavam. não havia portão atrapalhando a vista, somente um portãozinho de madeira, mais baixo que as janelas.

o cantinho do espelho ficava num hall em frente à porta da cozinha, no início do corredor que dava para os quartos. entre uma sala e outra, tinha uma porta dupla de madeira, com mecânica de portão de saloon de filme de faroeste, que a gente empurrava teatralmente com as duas mãos, escancarando a abertura e dando tom triunfal à entrada na sala de visitas, onde ficava o rádio e um quadro grande e colorido – os músicos do central park era o nome da obra, que meu pai ganhou de um amigo  – enquanto as portas se fechavam às nossas costas, balançando. esses e outros detalhes, como o telhado da edícula ao fundo, facilmente acessado pelo muro lateral, onde eu e meu irmão subímos algumas vezes para admirar o céu, foram se desenhando na minha memória enquanto eu lia o relato da rita – que até o final do livro estarei chamando de amiga.

era uma casa grande, cheia de coisas que já estavam lá quando chegamos, como o espelho e a porta de madeira, e outras que trouxemos: quadros, móveis, marcas de pés nos muros usados de apoio para as escaladas. na casa onde meus pais vivem agora, eu nunca vi a mesa da sala totalmente arrumada. tem sempre papéis, vasos de planta, fotos e objetos dos mais diversos esquecidos por ali. no barzinho – aqueles de canto de sala de estar – sempre falta uma taça, que é frequentemente encontrada suja sobre a mesa da cozinha, com um restinho de vinho manchando o fundo. onde moro, o cinzeiro nunca está vazio e os livros se acumulam em pilhas sobre os móveis. é natural que, onde há gente, coisas se acumulem, quebrem, sejam transferidas de um canto para o outro. as casas moldam-se às vidas que transitam por ali. a gente é feliz quando e também é feliz onde, e felicidade de gente deixa marca em pessoas e lugares.  depois, vira tudo memória pra gente fechar o olho e lembrar do balcão da cozinha onde, encostados, jogamos tanto conversa fora.

esqueci de pessoas, festas e datas, mas lembro com detalhes dos ambientes onde vivi bons momentos, como as telhas da varanda da casa da minha avó, com a inscrição em alto relevo: são sebastião, que era o nome da olaria.

anos depois, quando voltei a dois córregos, quis passar em frente à casa do portãozinho de madeira. minha amiga advertiu: tem certeza?

seguimos em frente e demorei uns segundos para entender: as janelonas de vidro estavam completamente escondidadas atrás de um portão alto, branco, metálico. a casa onde crescemos só existe agora na minha memória, num sinal claro de que nada, nem o que é de tijolo e cimento, dura para sempre no universo material.

2017 ainda me paga

2017

deram-me um ramo de lavanda. coloca no travesseiro, é bom. guardei na capa vermelha, surrada, já cheia de bolinhas de tecido muito lavado, e me enfiei no ônibus para enfrentar 900 e lá vai quilômetros com sorte sem ninguém ao lado. escolhi janela, na esperança de pegar, já no outro dia, o começo da manhã no cerrado brasileiro. na primeira parada sentou ao meu lado um homem espaçoso, como há de ser com quem não tem sorte, e pensei que seria difícil dali por diante levantar para ir ao banheiro. guardei na bolsa a garrafinha d’água e engoli um halls vermelho. na outra parada o homem mudou de poltrona, porque há de ser assim também com que não tem sorte: às vezes tudo vira. então dormi com a cabeça encostada no cheiro da lavanda do macio do travesseiro mais velho que a capa. de um lado, de outro, com os pés apoiados no encosto do banco da frente, com pés apoiados na mochila no chão, de todo jeito que se pode dormir no espaço de dois bancos de ônibus, acordando de hora em hora por causa da dor nas pernas ou para comer um pão de queijo, o máximo que a inteligência permite gastar nessas paradas no meio da estrada, onde um sanduíche custa mais que uma janta num restaurante italiano dentro da cidade. bafo, cansaço, dor no corpo, tudo, no fundo, é festa quando se terá em poucas horas um nascer do sol no meio do cerrado brasileiro e um abraço de chegada. e na chegada, casa nova, tudo novo, filtro dos sonhos e pés de majericão, 15 dias pra se viver uma vida em poucos metros quadrados com uma poltrona perto da varanda onde ficou, por 15 dias, o travesseiro alavandado. tanta vida pra viver, saudades pra matar, plantas pra cuidar, ruas vazias a serem caminhadas e lugares a serem descobertos, planos para fazer, que ficou pra lá a volta pra casa, a consciência entendeu que não era hora de pensar, como há de ser nos momentos que são vividos por inteiro: não existe antes nem depois. então, plantas saudáveis, casa acomodada ao meu ser, minhas roupas no varal, vizinhos brigando e rita lee no som pra espantar a voz que entra pela sacada. eu, cantando, no meio da sala, olho para o travesseiro de capa vermelha ainda repousado na poltrona. amanhã nos vemos de novo, 900 e lá vai quilômetro brasil abaixo, volta pra casa. enxuguei meus olhos na fronha vermelha e descobri que eles são sensíveis à lavanda.

30 de janeiro

saudade

saudade é uma camiseta velha encontrada no fundo do guarda-roupas. é a foto da gente de cabelo de tigelinha no quintal em 1995, é chocolate de guarda-chuva, cheiro de café torrado, suco de amora. é o muro da casa da vizinha que agora está mais alto, a coleira do cachorro esquecida debaixo do tanque, bolinho de chuva às 3 da tarde em dia de semana. saudade é uma rua, uma porta, uma casa, é saber onde estava descascado na parede da varanda. saudade é uma música velha que a gente nunca mais ouviu, é uma passagem de ônibus amarelada no meio de um livro, é uma dedicatória. saudade é um raio de sol que entra pela janela e deixa a sala alaranjada, é uma colcha de retalhos, um sapato de balé. saudade é uma roseira no gramado do quintal, são as marquinhas de centímetros de altura no batente da porta, é um nome que a gente não lembra mais, é uma risada que chama a atenção. saudade é um fim de semana na praia, e só choveu. é um jogo inventado para matar tempo, um moletom emprestado, o medo de trovão. saudade é desenhar com sombra na luz da vela, é um desenho de giz, uma música de ciranda, uma blusa de lã, um problema de matemática. saudade é chuva de verão, noite de inverno, bolo de fubá, o barulho do mar. é uma parede pintada, um frasco de perfume onde sobram 3 gotinhas que ninguém teve coragem de usar, é uma cicatriz no joelho. saudade é um jeito de falar, de arrumar o cabelo, de bocejar e piscar os olhos. é um jogo de taças, uma garrafa vazia, uma ressaca. saudade é uma penteadeira, um bule e uma receita de doce de leite. uma língua diferente, uma palavra que ninguém mais fala, um céu de noite de verão, uma cidade a 700 quilômetros de distância. saudade é rir sozinho, chorar assistindo a um filme, é mandar mensagem, inventar história, escrever carta. saudade é abrir um álbum de fotografias, fechar os olhos e lembrar os detalhes do rosto. é uma festa de aniversário com brigadeiro e bala de coco. saudade é o cheiro de churrasco no domingo de manhã, é um disco dos beegees, é uma moda de viola. saudade é um caminhão estacionado do outro lado da rua, alguém batendo palmas no portão, uma voz que vem da cozinha. saudade é um oceano de distância, um abraço que já já chega, uma tarde que nunca mais volta, uma cadeira vazia na varanda de casa onde ninguém mais tem vontade de sentar.

Sweet home Alabama

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era 1996 e o mundo, eu começava a perceber, era maior do que eu pensava. o silêncio da noite lá fora, cheiro de verão, luzes de natal, casa da minha avó. na televisão, Forrest Gump, eu sentei no cantinho do sofá, minha mãe lá fora gritando para eu ir tomar banho, eu falando “espera”, o filme começando, não era Disney nem ET, era um filme de gente grande.

minha mãe chega na sala, a luz da TV desenhando silhuetas e as janelas todas abertas, brisa de verão passando de um canto a outro, minha mãe parada na porta: esse filme demora pra acabar, hein? eu suja de terra, mas o banho podia esperar.

pés descalços, cabeça no encosto do sofá, copo de tuibaína na mão, que minha tia trouxe. de repente, eu queria chorar. chorei baixinho, enxugando todas as lágrimas, com medo de um adulto entrar e me ver chorando. as costas das mãos não davam conta do tanto de lágrima que caía, mas se eu levantasse pra pegar um pedaço de papel um adulto podia ver e como é que eu ia explicar? o filme era muito bonito, quem é que chora de beleza?

o mundo aumentando diante dos meus olhos.

é 2016 e eu e um amigo gravamos um vídeo, narrando um poema. demos um tom diferente daquele que a autora pensava quando criou. ela estranhou. nós refletimos muito sobre a liberdade da produção artística. quando escrevo este texto, recorro à minha memória. lembro da sala da casa da minha avó e de um sofá que nem existe mais, da cena do filme, e da minha roupa. você, que me lê, imagina sua sala, imagina minha face, ou de qualquer outra criança, triste ou não.

é 2016 e eu estava trabalhando em um evento, tudo de primeira, muito fino, muito chique. a banda subiu no palco e tocou Sweet Home Alabama. eu sorria para convidados, conversava amenidades: mercado, carreira, sobremesa; e me controlava para não correr para a frente do palco, gritar, cantar, pegar um copo de uísque e abraçar alguém. meses atrás, quando voltei para casa, para o exato lugar onde, 20 anos antes, chorei pela primeira vez ao ver um filme, tirei uma foto do horizonte. mato, árvores. na legenda: sweet home duartina.

é ainda 2016, vinte anos depois de eu ter chorado assistindo a um filme, e hoje encontrei uma lista com as melhores trilhas sonoras do cinema. estava lá: Forrest Gump, Sweet Home Alabama.

vinte anos depois me dei conta: é a música do primeiro filme que me fez chorar, e isso me faz gostar tanto. Forrest Gump é um filme longo, incrível, com um roteiro sensacional. ele fala de uma época, de conflitos, ideologias e relações humanas.

para mim, fala sobre voltar para casa.

Sempre cabe saudade

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Vez em quando aparece alguém querendo bater um papo sobre morar fora do Brasil. São normalmente conhecidos que, assim como eu, têm vontade de viver um tempo em outro país. Perguntam sobre clima, diferenças culturais, comida, dificuldades e alegrias. Minhas respostas são quase sempre subjetivas: tudo depende da experiência pessoal de cada um. O frio que quase me deixou em depressão pode ser a alegria de alguém, e lugares que eu amei podem te deixar entediado.

A única afirmação certeira que posso fazer é: quando for morar fora, você precisa estar ciente de que vai conviver com a saudade pelo resto da sua vida.

Não falo da saudade que você sentirá do transporte público que funciona bem ou do inverno rigoroso quando, depois de passar uns meses longe de casa, tiver voltado para o nosso país tropical.

Não. Existe um nó que vai amarrar sua garganta muito antes.

Talvez não no aeroporto, quando você se despedir dos seus pais; nem na primeira semana longe de casa, quando tudo for novidade. Mas um dia, quando você acordar de ressaca numa cama do outro lado do mundo, vai lembrar da padaria perto da sua casa onde comprava coca-cola gelada e coxinha quente. Vai pensar nos seus chinelos jogados em qualquer canto a milhares de quilômetros de distância e sentir uma falta imensa dessa coisa leve que é sair na rua sem ter que calçar botas de couro. E vai sentir uma saudade louca do cheiro da comida da sua mãe invandindo seu quarto no domingo.

Durante toda sua existência em outro canto do mundo, vão te fazer sorrir as lembranças dos amigos que estão longe, essa gente que dividiu anos de vida com você, e que você sabe que se estivessem ali te fariam um tanto mais feliz, por mais que você esteja vivendo os momentos mais inesquecíveis da sua vida. Você vai beber uma cerveja e lembrar de alguém que iria adorar aquele sabor. Vai assistir a um fim de tarde com o pensamento em quem sempre te acompanhava nesses momentos de contemplação; e vai ficar impaciente quando telefonar a noite e o fuso horário te impedir de completar a ligação para aquela pessoa que seria a única que poderia te ouvir naquele momento.

Isso é só o começo.

Porque então, depois que você tiver voltado para casa, calçado as havaianas, comido 32 coxinhas e agradecido mil vezes por morar no país que tem o céu mais lindo do mundo, vai lembrar de alguém que ficou do lado de lá e que adoraria comer coxinha com coca-cola sentado num bar com mesas de lata na calçada. Ao cruzar a cidade num fim de tarde, vai te bater uma saudade louca do horizonte que você deixou para trás. A saudade vai chegar quando você menos espera, e numa noite fria você vai lembrar detalhe por detalhe da decoração do seu quarto provisório naquele país que você escolheu por uns meses para chamar de casa. Vai acontecer de você refazer mentalmente o caminho do supermercado, relembrando cada prédio, pensando na casa dos vizinhos que você deixou para trás, e seu coração vai ficar miudinho quando você estiver zapeando a TV e cair numa reportagem sobre aquele lugar que por meses te acolheu.

Esteja preparado, porque morar longe vai te ensinar que sempre cabe mais uma saudade.

Home alone com saudade

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Comprei botas novas porque as antigas estavam com um furinho na sola que deixava minhas meias molhadas e a gente sabe que o inferno é um lugar frio onde somos obrigados a usar meia molhada. Então eu vinha andando com minhas botas novas e quentinhas, segurando um copo plástico desses com tampa branca e olhando as vitrines enfeitadas com árvores de natal, papais noéis e neve falsa. Só faltou tocar Frank Sinatra pra fechar a cena do filme natalino.

Segurei firme meu copinho pra esquentar as mãos e percebi que é o primeiro Natal da minha vida do jeito que um Natal tem que ser — dizem, mas não foi o Sinatra que sussurrou no meu ouvido durante a minha reflexão diante da vitrine iluminada. Meu insconsciente brasileiro trouxe a voz da Simone me perguntando o que você fez, e eu fiz muita coisa, mas ainda não coloquei um chinelo e fui tomar cerveja no bar, porque se fizer isso meu pé gangrena e eu vou precisar de muletas. Não teve piscina, vestido de alcinha e sorvete sem hora pra voltar pra casa porque é férias.

Sabe por que Esqueceram de Mim é um filme legal? Porque a gente assiste a ele deitado no chão geladinho da casa da vó enquanto ela faz uma limonada, depois a gente põe chinelo e vai passear lá fora, dar uma nadada, ou sentar no batente da porta e ficar olhando pro horizonte. O Macaulay lá, de blusa de lã tomando sorvete, e a gente gastanto milhões em picolé de limão pra dar uma refrescada.

Natal no frio não é ruim não, mas o nosso é muito melhor. Quando o europeu chegou debaixo duma chuva, enfiou pra gente goela abaixo um Papai Noel de manga longa. Fosse numa manhã de sol, a gente tinha arrumado um papai noel de tanga e livrado pra sempre os velhos barbudos de suar o bigode nos shoppings tropicais.

Eu vou aproveitar o Natal original, porque as luzes na rua são lindas, mas vai ser a última vez. Melhor que botas novas e quentinhas, só chinelo havaiana.